sexta-feira, setembro 08, 2006

Devaneio de um louco


Se o ainda fosse a solução do que falta não precisaria fazer mais nada.
Ah!... se ainda fosse.
Sabe aquela sensação, essa mesma, eita sensação do...Sensação do coração estraçalhado em meio as víceras expostas...então você quase chegou lá, mas ainda não, ai se o ainda fosse a solução.
Deixa eu contar para você:
Tudo começou quando, eu tirei a vergonha, coloquei a coragem e enfrentei uma folha em branco.
Ah...o que eu estava dizendo? Nada, relapso de um ser desfragmentado em pedaços espelhados de uma sociedade.
Sabe a eleição está aí, os políticos também, as filas, a falta de emprego e a de vontade...
Mas deixa eu te contar:
Tudo começou quando, eu tirei a vergonha, coloquei a coragem e enfrentei uma folha em branco, depois comecei a escrever e escrever, surgiu um esboço, depois outro e depois mais um pedaço de outra coisa....
É...acontece...são coisas que precisam de enfrentamento, amadurecimento. Sabe?
...tudo começou...tudo começou....quando....
Se eu ainda encarasse o ainda como solução, este texto seria muito mais organizado, será que o ainda é a idéia central deste texto?
Quer saber? Sei lá, isso, sei lá.
Vou descomplicar.
Rebate algumas coisas de um lado para o outro aqui, isso aqui, como no texto “Eterno Ato de Sempore Ir”, nesse ponto bem aqui na caixa toráxica. Rebatem como se fossem bolinhas de vidros prestes a explodirem, elas rebatem bem aqui, chacoalham meus desejos e pensamentos...ai ...doi em cada, cada “reverbeio”. Sentimentos presos por um glúten feito de sangue e lágrimas.
Tudo começou quando...
Perdi o fio da meada...não cabe mais dizer isso, Já coube e já me entenderam.
É fato, começou há um tempo, lá por um tempo atrás quando escrevi e escrevi em um pequeno caderninho.
Ah...mas deixa eu contar uma coisa, como é lindo o esboço criar forma. Deixa eu falar mais uma coisa...quando se ganha voz então vixi maria...e a forma, os traços e os movimentos...nem um Louco pode imaginar...nem um louco imagina a loucura que é. SALVE os ATORES, digo, atores de verdade!
É lindo por demais!
Ai...doeu uma bolinha bateu aqui no canto esquerdo do peito...ai de novo... sangrou um pouquinho, mas depois passa, daqui a pouco passa.
Se eu não tivesse o ainda que me guia.
Ainda ...vai carrega minhas preces e me traga o que me falta, mas vai embora logo ainda que eu me apego, mas vá logo e me traga o que preciso.
Pronto, uma bolinha explodiu, deixou vazar pelos meus olhos, parte de glúten...
E agora? O que o texto fará? O que será do texto?
Bolinhas de vidros que se quebraram com as batidas se esparramam por aqui e encerram um desabafo...
Corre Ainda respeite minha prece e traga logo o que preciso.
MERDA!

3 Comments:

Blogger Márcia Nestardo said...

Como dói mergulhar no mundo fragmentado, esplodido e ensanguentado de um Louco e Ainda ser capaz de entender cada vírgula, cada pausa, cada gemido de dor.
Tudo começou quando li, não a Li me chamou e disse: Se quiser fazer teatro, é só me falar.
Perdida no tempo, gorda, cansada, rouca eu fui. Conheci o Louco e aí sim que tudo começou.
Não acreditava Ainda na volta, mas lia e brincava de ser verdade. Não tinha entendido Ainda tudo, claro, encadeado, mas suava os desejos de um Louco, por ele, por ela (O Louco e sua mulher, não a musa)
Faltava Ainda a viabilidade. Uma festa frustrante nos embebedou a todos e dissemos que Ainda era possível fazer a vontade do Louco.
Depois daquilo um recomeço, sem madeira nem papel e tinta, sem roupas nem sapatos. Ajuda Ainda não tinha, mas a voz já soava alta e os jogos do Louco eram mais nítidos pra mim.
Veio a ajuda, outras tantas ajudas foram pagas que generosidade tem seu preço, sempre. E a imagem do Louco ficou pronta. Fora do lugar, Ainda isso, como levar o sonho do Louco pro lugar que era certo? (Errado, lugar errado, que seja, porra!!!!) E mais generosidade paga em prestações.
Chegou, é aqui, mas não era assim que a gente tinha sonhado! No papel, assinado pelo Louco, empenhando seu nome e salários que não tinha, não estava escrito que tinha que ser como foi sonhado. – “Fodam-se vocês todos! Que pra fazer pêça, tem que investir... hahahaha”
E o Louco e seu sonho deram as caras a primeira vez (Chama-se estréia, bom que se diga). Uma bosta, erros, escuro, cigarro apagado na única hora que devia não estar, vinho derramado, outro esquecido e Ainda a televisão que não devia estar, mas estava, devia ser lembrada e não foi (Erro meu porra! Também quem manda o Louco me deixar sozinha pra fazer e desfazer todo seu sonho depois de tanto tempo longe?) Ah... esqueci, não de falar desta vez, esqueci de dizer agora que Ainda perdi a cabeça pra fora da luz (Perdoa essa atriz que nunca esteve em foco, por não saber que pra ter cabeça tem que ter luz, perdoa vai, ensina...)
E o primeiro delírio do Louco aconteceu diante duns olhos amigos, medrosos das nossas cagadas, mas muito entusiasmados de ver a brincadeira.
Até um par de olhos viu mais do que o Louco escreveu e quis chegar mais perto, pediu e-mail e hoje olha de pertinho, ora vejam! Obrigada, Louco, tenho que te agradecer muito por isso!
Mas o lugar que era errado espantou, confundiu, deu preguiça e ninguém mais viu a gente brincar.
Agora sobrou um último tanto de generosidade pra gente pagar.
Ainda podemos tentar de novo...
Ainda vamos fazer bonito...
Ainda acreditamos nesse jogo... Nem todos, né.
E eu vi o Louco chorar de dor, por uma página branca que um dia ele teve coragem de riscar.

(Te amo Claudio, culpa da Li)

10:55 PM  
Anonymous Alexandre Gomes said...

Cláudio, li o texto e viajei. Assisti a peça e viajei de novo. Não vou dizer aqui que achei tudo maravilhoso, porque se dissesse ia só ficar sendo mais um comentário suspeito de amigo, ainda que distante, querendo consolar.
Só posso dizer que na multiplicidade de sentidos que vi no seu "surto" - em toda a riqueza de significações - vislumbrei sim algo que é maior do que você, do que a direção da Alissandra, do que a atuação dos atores. E quando isto acontece eu tenho certeza que é Arte.
Quando sairem deste despertar breve e voltarem a reestreiar o sonho estarei lá para ver a primeira cena que perdi.

5:54 PM  
Blogger cacau segobia said...

olá, vejo que as entrelinhas e os descaminhos perpassam em seu texto, inveja de não ser eu uma dessas suas referências ... dói tanto essa bolinha e quando explode a catarse é inevitável, e o texto vem doído, sofrido, cheio de esperança e dor... tente de novo, por favor, não deixe nunca que essa bolinha pare, dói mas o artista precisa disso, e eu não tenho duvida de que tu és um... em todo caso, merde, sempre...

3:37 PM  

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