Sábado, Junho 28, 2008

A Marcha dos Famintos

Acaba de nos chegar a informação de que existe uma manifestação na rua da Consolação, vamos saber mais informações com a repórter Sandra Lee.
Bom dia, Ana, até o momento ainda não sabemos ao certo, qual é o real motivo da manifestação. Agora é chocante a imagem que temos nas duas faixas aqui da rua da Consolação, temos cerca de 200 pessoas, entre elas muitas pessoas magras, sujas, doentes. Poderia até mesmo dizer que os moradores de rua decidiram fazer uma manifestação, se não fosse por algumas vestidas que se encontram no meio deles
Sandra, acabo de receber a informação que está ocorrendo também uma manifestação próximo ao Centro cultural São Paulo e pelo que recebo de informação, são as mesmas condições, Sandra! Sandra! Bem perdemos o contato com a nossa repórter, em breve novas noticias sobre esta manifestação na rua da Consolação e na rua Vergueiro.
Segundo os meteorologistas, hoje o dia será quente, poderemos atingir os 38 ° na capital paulista e 41° em Ribeirão Preto....O ator João Pedro casará neste fim de semana....mais um acordo bilionário é assinado pelos acionistas da...Voltamos a ter contato com a Sandra, Sandra?
Oi Ana, a manifestação cresceu bastante a policia aumentou o seu efetivo. Os que estavam na região da rua Vergueiro já se encontraram com os outros manifestantes da rua da Consolação, e o mais interessante é que nem carrega nada...agora eles pararam na porta do cemitério, está começando uma confusão por aqui, a rua já está fechada nos dois sentidos e o transito já começa a ficar muito complicado, a policia começa a intervir, as pessoas não se mexem, os policiais estão tentando prender algumas pessoas, mas outras ocupam os seus lugares, todos os manifestantes estão com folhas nas mãos e todos juntos começam a ler alguma coisa, vamos escutar:
Nós que esmolamos comer,
Que suplicamos sentir,
Clamamos saber,
Rogamos acreditar,
Imploramos amar,
Que mendigamos viver...
Avisamos!

Os policias partem para a agressão física, jogam bombas de gás...alguns manifestantes caem e outros continuam....
Não que você seja nosso amigo,
mas quem sabe perceba o tamanho do desastre,
o volume da asneira
que vai acontecer contigo.
Cenas horríveis, cenas horríveis....
Aquele que morre por último
já encomendou a missa de sétimo dia!
Vocês que plantaram a fome,
Prescreveram a doença,
Lecionaram a ignorância,
Que pregaram a descrença,
Impuseram o ódio e
Pariram a morte,
Saibam!
Já que Deus morreu,
O Estado faliu
E a Ciência se esqueceu...
Não tem quem me segure!

Muitos estão bem feridos, sobram poucos manifestantes, Sandra?
Por incrível que pareça está cada vez chegando mais gente, que assim que chegam assumem o lugar de quem foi preso ou de quem está caído, e não há nenhuma reação agressiva, não sei se por idealismo ou por falta de força, Chegou a tropa de choque, está uma tremenda confusão....
Ana, virou uma praça de guerra a porta de entrada do cemitério da consolação e no meio disso eu consegui falar com um manifestante bastante magro e ferido e ele me disse que o que eles estavam lendo era um texto escrito pela Marcha dos Famintos e que termina da seguinte maneira

É o seu olho no meu dente!
Dor com dor se paga.
E sua dívida é extrema
Já acabou a virtude do paciente,
Vê se aprende a ser gente!

Cerca de 200 pessoas foram presas ,por volta de 100 foram hospitalizadas e sem revidar nenhum momento....Sandra Lee do cemitério.
A Voz dos manifestantes texto de Fábio Correia da Silva

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

MP3

1,2,3 som! Testando!?!
Qual a diferença entre sair andando pela cidade com um antigo walkman onde só um fone funciona e sair com um mp3 novo?
Ora pois, com walkman pode se dizer que o risco de assalto é menor, sim, pode.
Contudo se tem um outro agravante, esse fone que não funciona, se torna ironicamente funcional, ele não deixa esquecer o som da rua, o som da cidade, o incômodo barulho da vida ou do excesso de desgoverno dela, o que é ruim não é o som da vida, mas qualquer tipo de desgoverno, principalmente o meu, o que me leva a tomar decisões, rumos, que pode me atirar as entranhas esquecidas da cidade ou as coberturas que as esquecem.
Quando escuto uma música automaticamente me volto a lembranças ou ansejos que a mesma me tras, a deixo me carregar a momentos suaves ou deprimentes, a me fazer pensar que a vida por um breve momento de 3 ou 4 minutos é um trailer de um filme que vai estrear nos cinemas.
Tenho o direito de fazer o que bem entender por este curto período de tempo, posso sim pensar que minha vida é um trailer, mas e o período que não tenho controle? E o roteiro que já se desenrolou por 27 anos? O que faço com ele? Deixo ele passar batido sem saber o som do ambiente que vivo? Não, qualquer animal que vive em qualquer floresta, planicie ou qualquer lugar que seja, sabe reconhecer os sons que os cercam, a pergunta que me faço ou que devo fazer é se conheço ou melhor se reconheço alguns sons que me rodeiam? Pois só assim acredito que o meu trailer, se tornará cativante, consequentemente levando algumas pessoas a conhecerem o meu filme.
No momento que escuto o som da cidade me sinto pequeno, jogado aos prédios, para não dizer leões. porém o que me deixa apavorado é não escutar nada nas noites que volto para casa, mesmo com o mp3 desligado.
Quanto a diferença entre sair andando com um ou outro, se você achou que eu fosse dar a resposta, "lo siento", você acha que sei alguma coisa aos 27, os mais sábios morreram sem saber.

Claudio Rosa

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Um espelho por favor!








E assim se segue...2006, terá mais 2006? Sabe – se lá..., de fato eu não sei quantos anos se terá, nem mesmo quantos anos terei. A morte é certa, para todos!... Mas para todos?
É.
Pensa um pouquinho. Sobrevivência, quantas cabanas você tem?
Em quantas árvores você já dormiu? Eu não dormi em nenhuma. Forçada herança, abençoado e forçado legado de um homem.
Ora pois, arranha-céu, prédio, casa, barraco, asfalto, barro, mato, planalto, homem, sobrevivência.
Um pouco mais milhares de anos atrás lutavasse pela sobrevivência, restos de animais mortos por grandes predadores ( pensamento voa longe), comia-se o que dava, quebraram uma pedra, fizeram uma lâmina, podia-se comer melhor, podia-se cortar a carne, depois pôde-se caçar, pôde-se construir coisas com ferramentas, fêz-se a roupa de pele de animal, teve o fogo, construções por sobrevivência...
Alguém já viu um macaco se protegendo da chuva com uma grande folha de bananeira? E riu?
Ah...faríamos e fizemos igual.
Voltemos ao fogo, raios, sobrivência, a espécie que se adapta é a melhor, onde está o Elo?
Vai saber, a questão que surge e ressurge é: Existe espécie melhor?
Do que os macacos te chamam? E os gatinhos da sua casa o que eles pensam de você? Qual é o nome que o seu fiel cachorro te deu na língua dele? Será que ele não está tirando um barato da sua cara com os amigos dele, toda vez que você o leva para passear?
Dúvidas e dúvidas ou bobeiras?
Filosofia?
Os homens são movidos por sobrevivência e curiosidade.
Palavras que não cabem em muitos espaços criados por alguns homens, espécie contraditória e egoísta.
Sim, tenho muitas ressalvas a esta especie!
Das qualidades, espero que algumas se sobressaiam e se consiga graças a elas escapar deste caos de desrespeito e angústia que pode-se ver em cada esquina e mesmo em lugares sem esquina alguma.
Enquanto a idéia de superioridade assolar o pensamento homo-sapiens-sapiens, não se verá que são tão animais tirando fato de que em muitos fatos são "aquéns" e muito aquém dos animais de verdade.
















Ah, humanidade! Meu reino, digo meu texto por um espelho !

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Devaneio de um louco


Se o ainda fosse a solução do que falta não precisaria fazer mais nada.
Ah!... se ainda fosse.
Sabe aquela sensação, essa mesma, eita sensação do...Sensação do coração estraçalhado em meio as víceras expostas...então você quase chegou lá, mas ainda não, ai se o ainda fosse a solução.
Deixa eu contar para você:
Tudo começou quando, eu tirei a vergonha, coloquei a coragem e enfrentei uma folha em branco.
Ah...o que eu estava dizendo? Nada, relapso de um ser desfragmentado em pedaços espelhados de uma sociedade.
Sabe a eleição está aí, os políticos também, as filas, a falta de emprego e a de vontade...
Mas deixa eu te contar:
Tudo começou quando, eu tirei a vergonha, coloquei a coragem e enfrentei uma folha em branco, depois comecei a escrever e escrever, surgiu um esboço, depois outro e depois mais um pedaço de outra coisa....
É...acontece...são coisas que precisam de enfrentamento, amadurecimento. Sabe?
...tudo começou...tudo começou....quando....
Se eu ainda encarasse o ainda como solução, este texto seria muito mais organizado, será que o ainda é a idéia central deste texto?
Quer saber? Sei lá, isso, sei lá.
Vou descomplicar.
Rebate algumas coisas de um lado para o outro aqui, isso aqui, como no texto “Eterno Ato de Sempore Ir”, nesse ponto bem aqui na caixa toráxica. Rebatem como se fossem bolinhas de vidros prestes a explodirem, elas rebatem bem aqui, chacoalham meus desejos e pensamentos...ai ...doi em cada, cada “reverbeio”. Sentimentos presos por um glúten feito de sangue e lágrimas.
Tudo começou quando...
Perdi o fio da meada...não cabe mais dizer isso, Já coube e já me entenderam.
É fato, começou há um tempo, lá por um tempo atrás quando escrevi e escrevi em um pequeno caderninho.
Ah...mas deixa eu contar uma coisa, como é lindo o esboço criar forma. Deixa eu falar mais uma coisa...quando se ganha voz então vixi maria...e a forma, os traços e os movimentos...nem um Louco pode imaginar...nem um louco imagina a loucura que é. SALVE os ATORES, digo, atores de verdade!
É lindo por demais!
Ai...doeu uma bolinha bateu aqui no canto esquerdo do peito...ai de novo... sangrou um pouquinho, mas depois passa, daqui a pouco passa.
Se eu não tivesse o ainda que me guia.
Ainda ...vai carrega minhas preces e me traga o que me falta, mas vai embora logo ainda que eu me apego, mas vá logo e me traga o que preciso.
Pronto, uma bolinha explodiu, deixou vazar pelos meus olhos, parte de glúten...
E agora? O que o texto fará? O que será do texto?
Bolinhas de vidros que se quebraram com as batidas se esparramam por aqui e encerram um desabafo...
Corre Ainda respeite minha prece e traga logo o que preciso.
MERDA!

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Lei da Física



A vontade era mandar todo mundo calar a boca, o calor insuportável, o aperto seguido de bolsadas, de cabeladas secas e fedidas até molhadas e cheirosas qeu não amenizam o incômodo.
A rua era uma ladeira, os corpos balançavam, não, não os corpos eram arremessados de um lado para o outro, para cima e para baixo, claro que não muito devido a lei da física que quatro corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, sim quatro corpos no mesmo espaço, e não queiram discutir quanto a isso, pois eu sei do que estou falando.
O meu nervosismo ia aumentando a cada quadra, nesta altura estava com a cara infurnada nas costas do rapaz de camisa branca suada em cima dos meus pés, devo relatar que o meu corpo de mais ou menos um 1,68m não estava mais agüentando, atrás havia uma bolsa acompanhada de sua amiga sacola que empurravam as minhas magras costas cada vez mais para frente.
E o pior ainda estava por vir, eu tinha que sair dali, eu tinha. Neste momento esbocei pedir licença para o rapaz da camisa branca, só esbocei, pois a olhada que recebi não foi das melhores, reduzindo o meu tamanho pelo menos duas vezes, então notei que não conseguiria passar.
Neste instante sem esperança, desolado no meu minúsculo tamanho, vi surgir uma alma caridosa vestida de humildade se levantar, do seu banco com seus anos já vividos, sem abrir a boca, colocou seu idoso braço á frente e como a mais mal - educada das pessoas empurrou a moça da frente para cima do rapaz e ficou posicionada pelo menos quatro passos a minha frente, uma boa vantagem.
Apareceu nesta hora a luz no fim do túnel, eu vi a oportunidade, me esquivei o máximo que pude e fiquei logo atrás da senhora mal - educada.
Isso foi bem na hora de sair do ônibus e ficar no ponto lotado e esperar outro.
Deve-se ressaltar o aumento da passagem do ônibus na cidade e que eu havia esperado pelo menos cinco ônibus para pegar este nestas condições e o pior de tudo considero uma falta de educação terrível o que a mulher fez, porém era necessário para ela sair da condução que levava para o trabalho. Agora a falta de educação maior, eu sei de quem é.
Claudio Rosa 05/04/05

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Artérias pra lá de rompidas!

"Está tudo sob controle e se Deus quiser o tempo vai passar rápido e o meu mandato acaba logo"

Disse o governador


Valsinha

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque / Vinícius de Morais

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar


















Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou


E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu

Em paz


Fotos: Folha de São Paulo

Quarta-feira, Maio 03, 2006

Tentações


As tentações corroem a sua cabeça, os passos que o carregam, pelas calçadas, e o peso deles é cada vez maior, a sua cabeça pende involuntariamente para baixo, o que o faz cada vez mais notar a cor suja do seu sapato, já muito usado, na outra dimensão deste olhar, observa os pés calçados das outras pessoas desviando dele e dos buracos.
Chega a uma faixa de pedestre, levanta a cabeça, bem a sua frente, um homem dentro do carro, falando ao celular, não, não falando não, gritando ao celular, o seu pensamento sai da sua cabeça e viaja e depois volta, lhe perguntando se ele precisa escutar a conversa estressante daquele homem que ele nunca viu? Se aquele homem deveria ter parado em cima da faixa de pedestre, de pedestre? O sinal abre, para os pedestres e para o homem, que sem perceber acelera o carro assustando a menininha que segurava a mão da mãe, o homem neste momento pára de falar e grita com a mãe da criança, a chamando de irresponsável.
Ele continua o seu caminho, chega do outro lado da rua e se vira e quase xinga o motorista irresponsável, mas neste momento o carro já estava longe.
Continua o seu caminho, esbarra em um homem de terno, pede desculpa, esbarram nele, falam para ele sair do caminho.
Entra no mêtro, espera uns cinco ou seis trens passarem, pois estavam muito lotados e não conseguia entrar, entrou no próximo, ficou apertado, como suas vontades, desceu, foi mais uma vez empurrado, mais uma, outra.
A sua cabeça girava, não estava mais entendendo o que lhe estava acontecendo, chegou a pensar que estava louco, mas foi só por alguns momentos, agora estava parado, em frente a um imenso prédio, olhou para cima, sua vista doeu com a luz do sol, fechou os olhos e a razão dentro do peito.
Entrou. Subiu. Sentou. Trabalhou. Desceu. Saiu, tudo isso do prédio que ele estava olhando, estava alheio a tudo e a todos, menos dele mesmo.
Parou em um bar, parou em um bar, parou em bar.
Me deixe.Ele gritou, como assim ele gritou, está história não é a minha história?
Lógico que não, está, é a minha história.
Sim, parei, sentei no bar, pelo menos nesta parte concordamos, mas na verdade eu,não estou louco, na verdade nunca estive mais são em toda a minha vida, em toda a minha vida, percebo algumas coisas que antes não fazia idéia, na verdade idéia fazia, mas não fazia idéia, como entendê-las.
Eu não via as pessoas na rua como vejo hoje, não me sentia mal por isso, sabia que era errado e injusto viver de tal maneira, mas vivia. De algumas coisas que eu não fiz, não chego a me arrepender, mas fico magoado ou vamos dizer ressentido de não ter feito, porém agora já passou.
Esta história não está ficando com a minha cara... E daí?
A história é minha não sua... Eu lembro de uma destas...
De uma destas o quê?
Destas vezes que você se arrependeu, ou quero dizer que você ficou magoado, aquela vez que você poderia ter ganhado o campeonato inter classes, que você disputou, quando estava na oitava série, é foi triste você ficar com medo de fazer o gol, só porque o menino da sexta série disse, que se você fizesse algum gol você se entenderia com ele depois, resultado, vocês da oitava série perderam o jogo, e não ganharam nem o terceiro lugar do campeonato que tinha ajudado a organizar, foi triste né?
Muito triste.
Sim você tem razão, muito obrigado, por me reviver, mais uma lembrança triste, obrigado mesmo, é melhor eu ir embora deste bar. Assim, eu retomo a minha história, e comprovo a minha teoria, realmente ele estava ficando louco, ele ficou no bar por horas, não colocou uma gota de álcool na boca, mas saiu de lá como se tivesse bebido todo o estoque de bebida do lugar, saiu transtornado, alucinado, e sem vontade de fazer nada ao mesmo tempo, se é que isso é possível.
Seguiu até o ponto de ônibus, lá ficou mais uma meia hora, entrou, sentou, depois levantou e saiu.
Quando chegou, percebeu que estava com uma página de um livro em sua mão esquerda, a página do livro estava amassada, parou e sentou na calçada sem perceber que estava chovendo, como todo dia de verão, começou a ler ou reler o poema que não parava de devorá-lo e de corroer sua mente:

Me dá um real?
Não tenho.
Me paga um almoço?
Não posso.
Depois o rapaz, puto da vida quase chorou.
A consciência pesou.
O homem a perguntar a todos no ponto, o que lhe havia perguntado.
A cada palavra proferida, um corte em sua pele.
Tal rapaz queria ajudar, mas não podia e não achava que era sua obrigação.
O estado do Estado, perante o estado do povo, é pseudo-retratado, em qualquer jornal do Estado.
O rapaz pensava isso e em inúmeros outros issos.
Olhava a cidade em movimento, em sua mente movimento este retrógrado.
A cidade sangrava por todos os lados.

A cada esquina outra artéria rompida, outra pessoa jogada.
Finalmente de dentro do ônibus a sua mente procura como estancar tais sangramentos.
Mas não encontra solução.
Sem solução.
Não há solução.
Continua escutando música,
no walkman,
só um fone funciona.
Fica com medo da cidade.
Fica com raiva de si mesmo e depois pensa em dar com os ombros para o problema.
Mas não consegue,
não consegue.
Ele se sente perdido,
Se sente velho,
Se sente inútil,
No auge dos seus vinte e cinco anos
A cidade.
A cidade que ele tanto ama.
A cidade que ele tanto amou.
É o principal motivo para ele se mudar dela,
mesmo sabendo que essa podreira está em qualquer lugar do mundo.
Pensa...
Gandhi.
Marx.
Chico.
João.
Rodrigo.
Pensa...
Pensou.
Chorou.
Chegou em casa ficou pensando e pensando e nada mudou assistiu os mesmos problemas diários na televisão.
Discutiu com sua esposa e seus amigos sobre o assunto e nada mudou.
Nada mudou.
E foi dormir sentindo o gosto de sangue em sua mente.

Terminou de ler ou de reler, enquanto o seu corpo já estava sangrando no meio da rua, no meio da rua, mais uma artéria se rompia, realmente se rompia.Não, não, isso não foi assim.Como não, eu sou o autor da história, eu.
Eu não teria tanta certeza quanto a autoria da história, ou de viver a história.
Goteja o sangue e a história termina.